Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Vídeo’

Desde a prisão de Caxias e de Peniche até ao Campo de Concentração do Tarrafal, todas estas prisões se tornaram, tristemente, célebres pelas vidas que nelas se perderam e por tantas outras que por elas foram marcadas.

Em Caxias, por exemplo, os presos entravam às centenas. Aqui, os presos eram torturados, espancados, deixados a apodrecer, a adoecer, com dores, vómitos ou até, no caso das mulheres, período menstrual, e tudo isto sem tomar banho, a tremer de frio e a passar fome. Além de tudo isto, havia ainda os interrogatórios, os insultos, o silêncio, o isolamento, as humilhações, os microfones que, escondidos, registavam todas as palavras e ainda as visitas com guardas ao lado.

Que pretendia a PIDE com tudo isto? Obter a confissão do preso, por mais verdadeira que fosse a sua inocência. De facto, na maior parte das vezes, não havia uma única prova material do crime, a confissão teria de ser arrancada durante o interrogatório, fazendo uso dos mais cruéis e desumanos métodos de tortura, espancamentos, tortura do sono ou da gota de água, isolamento continuado, ameaças de morte, …

A tortura do sono era uma das mais aplicadas em Caxias, recorrendo-se a estímulos de intensidade crescente para manter o preso desperto. Por exemplo, numa primeira fase, brincava-se com uma moeda, abriam-se e fechavam-se gavetas ou obrigava-se o preso a passear pela sala; numa segunda fase, berrava-se, espancava-se, gravavam-se gritos, mudava-se repentinamente a temperatura, queimava-se o preso e obrigava-se o mesmo a ficar em posição de estátua.

Por seu turno, as salas de interrogatório eram pequenas, como mobília apenas uma mesa, uma cadeira , um banco e alguns candeeiros, escondendo microfones.

Um investigador americano, que visitou a prisão em Agosto de 1974 comparou Caxias ao sistema prisional americano, mais concretamente a Guantanamo, em Cuba
Um dos motivos que levou o autor a fazer essa comparação está relacionado precisamente com a especialidade da PIDE, a tortura do sono. De facto, existem indícios de que este método era aplicado com a ajuda da CIA, que em 1963 produzira o «Kubark», manual secreto que descrevia a forma de exercer tal tortura.

«Durante vários dias, no princípio do verão de 1974, tive acesso livre a uma estranha e terrível prisão próxima a Lisboa, então vazia devido ao golpe que no mês de Abril findou 48 anos de ditadura fascista em Portugal. (…)
A prisão de Caxias era dirigida pela polícia secreta, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), temida pelos portugueses. Os peões atravessavam a rua para evitar passar em frente à sua sede em Lisboa. Caxias era uma velha fortaleza próxima ao mar, mas no seu interior havia uma moderna câmara de tortura que utilizava as mais recentes técnicas de coerção — concebidas pela US Central Intelligence Agency.
Durante décadas, milhares de prisioneiros políticos, principalmente comunistas e socialistas, deram entrada em Caxias para tortura sistemática e a seguir foram soltos. Por que estes subversivos conhecidos, que haviam dedicado as suas vidas à destruição da ditadura, puderam retornar à liberdade? Porque o êxito das técnicas modernas de tortura importadas pela Pide significava que as suas vidas anteriores haviam-se tornado irrelevantes? Nas palavras da Pide, eles haviam sido “jogados fora do tabuleiro de xadrez”. As suas vidas, velhas ou novas, foram destruídas.»
(Cristopher Reed)

Longos corredores nas trevas percorremos
sob o olhar feroz dos carcereiros
mas nem a luz dos olhos que perdemos
nos faz perder a fé nos companheiros.

Vá camarada mais um passo
que já uma estrela se levanta
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.

Cortam o sol por sobre os nossos olhos
muros e grades encerram horizontes
mas nós sabemos onde a vida passa
e a nossa esperança é o mais alto dos montes.

Vá camarada mais um passo
que já uma estrela se levanta
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.

Podem rasgar meu corpo à chicotada
podem calar meu grito enrouquecido
que para viver de alma ajoelhada
vale bem mais morrer de rosto erguido.

Vá camarada mais um passo
que já uma estrela se levanta
cada fio de vontade são dois braços
e cada braço uma alavanca.

Anúncios

Read Full Post »

Sem dúvida alguma, o Estado Novo possuía um acentuado carácter repressivo, munindo-se, portanto, de um aparelho repressivo que amparava e perpetuava a sua acção, impedindo a difusão de ideais que fossem contrários aos do regime e punindo todos os que ousassem fazê-lo.

Assim, um dos elementos deste concertado aparelho foi precisamente a censura prévia à imprensa, ao teatro, ao cinema, à rádio e, mais tarde, à televisão, incidindo, especialmente, sobre os assuntos políticos, militares, morais e religiosos. Vivia-se, portanto, numa autêntica ditadura intelectual, cabendo aos censores a tarefa de proibir a difusão de palavras e imagens que contrariassem o ideário Salazarista.

Read Full Post »