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Sala de Aula


Sala de Aula (a vermelho alguns dos elementos essenciais)

ANTES DA AULA:

Todos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Professor: Jesus, divino Mestre…

Todos: …iluminai a minha inteligência, dirigi a minha vontade, purificai o meu coração, para que eu seja sempre cristão fiel a Deus e cidadão útil à Pátria.

Todos: Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.

A Aula:

As Lições de Salazar

Em 1938, começam a ser distribuídos, pelas escolas primárias do país, vários cartazes. Estes, chamados de “A Lição de Salazar”, tinham portanto como principais objectivos:

  • Inculcar, nas crianças, o ideário Salazarista.
  • Glorificar a obra feita pelo ditador, desde o plano económico-financeiro às obras públicas.
  • Transmitir a superioridade de um Estado Forte e Autoritário sobre os regimes democráticos.

  • Estado Novo/1ªRepública

Além de todos os objectivos acima referidos, os cartazes de “A Lição de Salazar” procuravam ainda realçar o carácter benéfico do Estado Novo para a Nação, opondo as qualidades deste, como:

  • Organização Financeira

Pode ler-se: "Graças à restauração financeira iniciada em 1928, os títulos do Estado e a moeda portuguesa fortes pela modelar administração e pelas reservas de ouro, são hoje das mais acreditadas do Mundo".

  • O investimento no desenvolvimento e melhoria das vias de comunicação.

Pode ler-se:"Onde eram escalvados os montes, ressequidos os campos e intransitáveis os caminhos, já reverdecem pinhais, brilham louras searas e magníficas estradas cortam Portugal de lés a lés."


  • A construção de portos.

    Pode ler-se: "Não havia portos que satisfizessem as exigências da economia naciona ou que ao menos servissem de apoio à rude faina dos nossos pescadores. Está a construí-los o Estadi Novo, e já os maiores transatlânticos do Mundo podem acostar ao cais de Portugal."

  • A organização e progresso social.

Pode ler-se: "Do abandono dos serviços públicos e das ruínas, sinais de desordem e de miséria, o Estado Novo, ao mesmo tempo que edifica, faz renascer o património histórico e artístico da Nação."

À desorganização económica e financeira e ao alheamento do Estado democrático e liberal republicano face aos problemas do país. Este contraste era ainda acentuado através da representação da 1ª República com uma imagem cinzenta e triste, destoando do tom colorido, alegre, organizado e moderno do “Depois” Salazarista.

  • Glorificação do Ideário

Ou seja, estes cartazes glorificavam a obra do Estado Novo, tal como o seu ideário.

  • Publicitam o carácter vantajoso do corporativismo, como promotor da harmonia social, da justiça, do progresso.
  • Realçam a importância de tornar Portugal num país respeitado, com um Estado Forte, económica e socialmente saudável.
  • Propagandeiam a aparente modernidade inerente à obra do regime.

Pode ler-se. "Em contraste com o zero da força armada, a que os partidos a haviam reduzido, o Estado Novo assegura, em todos os campos, com os mais eficientes meios técnicos, a defesa da Nação e do Império."

Pode ler-se: "Com o Estado Novo Corporativo inicia-se uma era de dignificação de trabalho e de justiça social."

Deus, Pátria, Família: a Trilogia da Educação Nacional”

Este cartaz, que talvez seja o mais conhecido cartaz da “Lição de Salazar”, sintetizava na perfeição a moral e pedagogia salazaristas. Assim, mostrando um lar humilde, patriarcal e cristão, faz apologia à vida simples rural, isenta dos vícios da sociedade urbana.

Assim, neste lar simples, onde nada remete para a indústria ou modernidade (água, electricidade, jornal, rádio,…), todos ocupam o seu lugar:

  • Mulher: submissa, cumpre as suas funções de esposa e mãe.
  • Pai: chefe de família, regressa do seu trabalho no campo, sustento da família.
  • Filhos: recebem o pai alegremente (de reparar que enquanto que o menino segura um caderno – escola, estudos-, a menina brinca às donas-de-casa – o que será quando crescer).

Nem os acessórios são descurados:

  • Crucifixo, Pão e Vinho: simbolizam a missa, o catolicismo, a devoção cristã.
  • Bandeira Nacional (através da janela): Nacionalismo, gloriosa História da Pátria.

    Escola como Propaganda

Ou seja, através destes cartazes podemos já concluir que a escola era tida como um essencial meio de inculcação do ideário Salazarista. Mas esta difusão era ainda acentuada pelos manuais escolares únicos e meticulosamente seleccionados pelo Ministério da Educação Nacional.

De facto, logo no manual da Primeira Classe podem encontrar-se, explicitamente, estes valores, desde a glorificação da obra do Estado Novo e do seu líder, Salazar; o papel subalterno da mulher, limitada à função de esposa e mãe; a caridade que, quantas vezes, substitui a função social do Estado; a catequese, incutindo os rudimentos da doutrina católica; a gloriosa história pátria que transforma Portugal na Nação mais bela do mundo e de que o Estado Novo é o mais legítimo herdeiro:

«A dona de casa

Emilita é muito esperta e desembaraçada, e gosta de ajudar a mãe.

– Minha mãe: já sei varrer a cozinha, arrumar as cadeiras e limpar o pó. Deixe-me pôr hoje a mesa para o jantar.

– Está bem, minha filha. Quando fores grande, hás-de ser boa dona de casa.»

«Os pobrezinhos

– Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.

– É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.

A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:

– Deus faça bem a quem bem faz!

O menino ficou comovido: – Que pena tive do pobrezinho!

– E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.»

«O Anjo da Guarda

O Fernando vai ao colégio e tem de passar em ruas e praças onde se cruzam automóveis.

– Cautela, Fernandinho! Vai sempre com atenção.

O menino às vezes é distraído e não pensa no perigo. Mas a mãe, que ficou em casa a trabalhar, nunca se esquece do filho e vai pedindo ao Anjo da Guarda que o acompanhe:

– Anjo da Guarda, livrai o meu menino de todos os perigos. Velai por ele!»

«A cantina escolar

– Gostei tanto de ir hoje à escola, minha mãe! A senhora professora estava muito contente, porque inaugurou uma cantina, onde os meninos pobres podem almoçar de graça. Se visse, Mãezinha! As mesas muito asseadas, os pratos branquinhos, jarras floridas e tudo tão alegre!

A sopa cheirava que era um regalo; e todos nós estávamos satisfeitos, ao ver os pobrezinhos matar a fome.

O filho do carpinteiro, a quem eu às vezes dava da minha merenda, de vez em quando ria-se para nós, como que a dizer:

– Está óptima, a sopinha!

Perguntei à senhora professora quem tinha feito tanto bem à nossa escola e ela respondeu-me:

– Foi o Estado Novo que gosta muito das crianças e para elas tem mandado fazer escolas e cantinas, creches e parques. Mas as famílias que possam também devem ajudar. Não te esqueças de o dizer à tua mãe.»

«Respeitai as autoridades

O pai é a autoridade na família. Os filhos são obrigados a ter-lhe amor, respeito e obediência. O professor é a autoridade na escola. Todos os meninos devem obedecer às suas ordens e estar com atenção às suas lições.

É Deus quem nos manda respeitar os superiores e obedecer às autoridades.»

DEPOIS DA AULA:

Professor: Graças Vos damos, Senhor,

Todos: por todos os benefícios que nos tendes concedido. Ámen.

Professor: Abençoai, Senhor,

Todos: a Vossa Igreja, a nossa Pátria, os nossos Governantes, as nossas famílias e todas as escolas de Portugal. Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.»

Fonte:http://www.esfcastro.net/portal/

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