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Posts Tagged ‘Censura’

A censura foi um instrumento fundamental na defesa da estrutura política do Estado e de todos os assuntos que poderiam afectar a sua segurança e prestígio”. Assim, além de toda a censura na iteratura e no cinema, como vimos anteriormente, esta atingia também a imprensa escrita, marcada, portanto, não só pelos cortes como pela subversão de ideias, pela mutilação do desenho, ou até pela inteira supressão dos conteúdos.

Porém, por vezes, nem era necessário a actuação directa dos orgão censores, uma vez que o conhecimento da sua existência e o medo de represálias traziam como consequências a contenção, a autocensura, o manter-se nos limites daquilo que era o “politicamente correcto”.

Ainda assim, existia quem possuísse o arrojo e ousadia necessários para adoptar uma atitude inversa , fazendo passar mensagens quase que subliminares, ludibriando, subtilmente, a acção do lápis azul.

Na política nacional, vários eram os assuntos “proibidos”: a falta de liberdades, o oportunismo, a corrupção, as críticas a figuras ou instituições do Estado, a miséria do “Zé Povinho” sobrecarregado por um número infindável de impostos e contribuições, o desemprego crescente, a sátira a datas como 28 de Maio, o 10 de Junho e o 5 de Outubro, e, claro, a guerra colonial e todas as suas consequências.

Também os acontecimentos da política internacional eram fililtrados pela política de informação do Estado Novo. A referência tema da guerra civil de Espanha, por exemplo, era sinónimo de corte.

Ou seja, apesar das incertezas, dos refugiados, e da miséria, o censores tinham como obrigação zelar “pelos bons costumes e moral da pátria”, dando sossego, ao invés de preocupações, ao leitores, pelo menos era essa a imagem que o Estado tentava fazer passar.

Brevemente, colocarei mais informações acerca da censura na imprensa, até lá deixo, aqui, um desafio: Alguém saberá qual a origem do lápis azul? Ou, pelo menos, qual a vossa opinião acerca da sua origem, porquê azul?

P.S.- Finalmente conseguimos fazer erguer a nossa “Luta Esquecida”, esta semana foi recheada de acontecimentos e boas novidades, desde a atenção disponibilizada pela Associação 25 de Abril, com a sua rápida e lisonjeadora resposta, até ao artigo no JMG  desta semana. Porém, mais tarde deixarei aqui os merecidos e devidos agradecimentos.

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A Censura, não sendo uma prática inédita em Portugal, adquire, no Estado Novo, uma sofisticação que, até aí, não possuía, tornando-se não só permanente como um organismo sólido e integrado no aparelho de Estado. Como referido anteriormente, a Censura englobava todas as formas de informação e criação, inibindo todas as que se revelassem divergentes do ideário que o Estado tentava, a todo o custo, inculcar, aniquilando, assim, a liberdade artística e criativa bem como o espírito crítico. Os livros, imprensa, rádio, espectáculos, artes plásticas, música, ensino, cinema e, mais tarde, a televisão, estavam sob o olhar dos censores e a ameaça da polícia secreta.

No que dizia respeito ao cinema, “a actividade da censura não é anterior à estreia do filme, mas sim posterior, deixando-se ao arbítrio dos empresários o seu cumprimento”. Arbítrio condicionado pelos assuntos interditos pela Ditadura. Estes diziam respeito a “fitas perniciosas para a educação do povo, de incitamento ao crime, atentatórias da moral e do regime político e social vigorantes”. Da mesma forma, eram censuráveis todas as cenas que mostrassem:

  • maus tratos a mulheres,
  • torturas a homens e animais,
  • personagens nuas,
  • bailes lascivos,
  • operações cirúrgicas,
  • execuções capitais,
  • casas de prostituição
  • assassínios,
  • episódios de roubo com arrombamento
  • violação de domicílio

Em 1944, a IGT (Inspecção Geral de Teatros) passa a fazer parte do Serviço Nacional de Informação (SNI), ex-Secretariado de Propaganda Nacional, chefiado por António Ferro.

Um ano depois é instituída legalmente uma Comissão de Censura, tendo sob a sua tutela a censura teatral e cinematográfica.

Em 1948 fica assente que qualquer tipo de exibição só seria possível após a atribuição de uma “Licença de Exibição”, dependente de um “visto de censura”.

A esmagadora maioria dos filmes censurados durante o Estado Novo era proveniente do estrangeiro. Só entre 1964 e 67, foram apresentados à Censura 1301 filmes, sendo que, destes, 145 foram proibidos, e 693 autorizados com cortes.

Se até 1936 a censura cinematográfica ainda não exercia um apertado controlo, o início da Guerra Civil Espanhola tornou mais apertadas as suas malhas.Proibiram-se:

  • filmes russos
  • filmes da «Frente Popular» francesa
  • filmes  simpatizantes com a «España Leal» republicana”
  • filmes anti-nazis (durante a 2ªGuerra)

Após o final da guerra, numa curta fase de distensão do regime, entram finalmente filmes como “Casablanca”, que esteve dez semanas em cartaz. Só que,  logo o cerco voltou a apertar, tendo como grandes vítimas as obras do neo-realismo italiano e alguma filmografia francesa. Por outro lado, todos os filmes do Leste europeu e soviéticos eram suspeitos.

No que diz respeito à filmografia portuguesa, as referências a filmes com partes censuradas existem desde, pelo menos, 1937.Por exemplo:

  • ” Maria Papoila”, da autoria de Leitão de Barros, tem cortes de censura.
  • “Aldeia da Roupa Branca”, de Chianca de Garcia, sofreu um pequeno corte numa cena considerada “imoral”.
  • ” Nazaré”, de Manuel Guimarães  foi exibido, mas retalhado.

A Auto-Censura

Do ponto de vista da realização, para além do facto de muitos autores serem a favor do regime, a auto-censura era uma constante. Constituía a prova de que o sistema funcionava. Se à partida se liberalizava a produção, pois não se controlava os argumentos e filmagens, ninguém se daria ao trabalho de avançar com um projecto passível de ser censurado no final.

A partir de 1948, com a criação do #Fundo do Cinema Nacional#, a indústria nacional torna-se refém do julgamento governamental, do que deve ou não ser criado, através da atribuição dos subsídios.

O mundo do cinema não se restringia só à tela, pelo que também os livros e as revistas, bem como as notícias sobre os filmes, eram alvo de análise por parte dos censores. No dia 4 de Abril de 1967, o coronel Pinheiro, com o seu lápis azul, escreve: “Qualquer referência ao filme «Quem tem medo de Virgínia Wolf» – SUSPENDER”. Diversos números das revistas “Ciné revue”, “Films and filming”, “Film Comment” e “Cahiers du cinema” foram proibidos de circular.

Nos anos 70, já com Marcelo Caetano, aumenta o número de filmes nacionais proibidos.

De Julho de 1971 a Março de 1972, foram conduzidos 304 filmes à estrutura agora chamada de Comissão de Exame e Classificação de Espectáculos.

Alguns filmes cuja exibição foi proibida:

  • “Sofia e a Educação Sexual”, de Eduardo Geada
  • ” Nojo aos Cães” de António de Macedo
  • ” Nem Amantes, Nem Amigos” , de Orlando Vitorino

  • ” Índia”, de António Faria

  • ” Grande, Grande era a Cidade”, de Rogério Ceitil
  • ” O Mal-Amado”, de Fernando Matos Silva
  • ” Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras”, de Lopes Barbosa

  • ” Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço”, de César Monteiro
  • “Catembe”, de Faria de Almeida.
Fonte: http://www.amordeperdição.pt

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Sem dúvida alguma, o Estado Novo possuía um acentuado carácter repressivo, munindo-se, portanto, de um aparelho repressivo que amparava e perpetuava a sua acção, impedindo a difusão de ideais que fossem contrários aos do regime e punindo todos os que ousassem fazê-lo.

Assim, um dos elementos deste concertado aparelho foi precisamente a censura prévia à imprensa, ao teatro, ao cinema, à rádio e, mais tarde, à televisão, incidindo, especialmente, sobre os assuntos políticos, militares, morais e religiosos. Vivia-se, portanto, numa autêntica ditadura intelectual, cabendo aos censores a tarefa de proibir a difusão de palavras e imagens que contrariassem o ideário Salazarista.

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